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Vinha das PenicasVinhedos Antigos

Alberto Almeida

Uma vinha que se chamava Penicas.

O projecto começou muito antes de existir. Começou nos anos setenta, numa aldeia do concelho de Coimbra, no extremo sul da Bairrada, com uma criança a apanhar búzios entre as cepas.

Alberto Almeida nasceu em São Martinho de Árvore. Em criança ajudava a família, que trabalhava a terra para dar vinho, hortaliça e leite. Aprendeu assim o calendário inteiro do ano agrícola, sem que ninguém lho ensinasse formalmente. A vinha onde o pai fazia o vinho de casa chamava-se Penicas.

Depois veio a cidade. Formou-se e fez carreira na saúde mental, como psicodramatista, profissão que nunca abandonou e que continua a exercer. Mas por volta dos trinta anos a saudade daquele calendário começou a puxá-lo de volta.

Em 1997 mudou-se para Podentes, no concelho de Penela, e encontrou o que não esperava encontrar: vinhas centenárias, de pé franco, com dez ou mais castas plantadas de mistura, algumas das quais ninguém sabia já nomear. Vinhas que ninguém queria, porque não se podem mecanizar e dão pouco. Começou a comprá-las e a recuperá-las.

Fez o primeiro vinho em 2006, numa cave improvisada no rés-do-chão de casa, movido pela Baga. Foram onze anos a aprender antes de mostrar seja o que for. Em 2017 nasceu formalmente o projecto Vinha das Penicas, Vinhedos Antigos. Os primeiros vinhos, um branco e um tinto de 2017, só foram apresentados em 2020, depois de esperarem o tempo que lhes pareceu devido.

Hoje são cerca de dez mil garrafas por ano. Podia ser mais, e não é: a decisão é deliberada, para não crescer para lá do que a cave e as mãos disponíveis conseguem acompanhar.

«Não quero fazer vinhos excêntricos. Quero transmitir emoção e desafiar sensações.»
Alberto Almeida