Terras de Sicó · Beira Atlântico
Onde o mar deixou as conchas.
As vinhas estão divididas por cinco parcelas, de meio a um hectare cada, nas freguesias de Lamas, em Miranda do Corvo, e de Vila Seca e Bendafé, em Condeixa-a-Nova. Entre 150 e 250 metros de altitude.
01
O solo
Argilo-calcário, com afloramentos de xisto e, por todo o lado, conchas fossilizadas do tempo em que esta paisagem estava debaixo de água. É esse calcário que dá aos vinhos o travo de giz e a salinidade que não os larga.
02
O clima
Mediterrânico com influência atlântica. A Serra de Sicó abriga os vinhedos dos ventos do oceano. As manhãs trazem nevoeiro e as noites arrefecem muito depois de dias quentes. É essa amplitude que segura a acidez e mantém os álcoois baixos.
03
As castas
Baga e Fernão Pires dominam, acompanhadas por mais de dez variedades autóctones plantadas de mistura: Bastardo, Rufete, Trincadeira, Grand Noir, Bical, Cerceal, Dona Branca, Rabo de Ovelha, e algumas que continuam por identificar. O Grand Noir terá chegado no século XIX, com as obras do caminho-de-ferro.
04
O trabalho
Tudo à mão. As cepas são velhas de mais e estão plantadas de forma irregular de mais para aceitar máquinas. Não se usam herbicidas. A reposição de falhas faz-se por selecção massal a partir das próprias vinhas, para não perder o património genético que lá está.
05
Na adega
Fermentações espontâneas com leveduras indígenas, muitas vezes com engaço, em lagar. Estágio em cimento e em barrica usada de carvalho francês, vinda de casas de Bordéus e da Borgonha. Sulfuroso ao mínimo e sempre à saída.
06
A região
Terras de Sicó é sub-região da indicação geográfica Beira Atlântico e estende-se por partes de seis concelhos a sul de Coimbra. Nunca teve expansão comercial que justificasse arranques e replantações. Deve a esse azar as vinhas antigas que ainda tem.
